PSICOLOGIA DA ARQUITETURA

    Estruturas, cores, variações de luminosidade e peças de decoração influenciam estados de humor; especialistas tentam desvendar a maneira como o cérebro processa estímulos ambientais para criar espaços mais confortáveis.

    Segundo Evans e McCoy, acrescentar ao ambiente objetos que remetam a elementos da Natureza – como lareira, fonte de água, aquário, flores ou janela com vista para um jardim. O efeito tranqüilizante desse tipo de elemento já foi comprovado. Em 1984, o diretor da Universidade de Delawar, Newark, Estados Unidos, Roger S. Ulrich, comprovou um estudo que pacientes hospitalizados que podiam ver um parque de suas camas se recuperavam mais rapidamente e precisavam de menos analgésicos. Já os que olhavam para fachadas de casas se mostravam mais agitados e desestimulados. Mas o que fazer se a vista da janela só dá para ruas e paredes? O pesquisador Yannick Joye, da Universidade Livre de Bruxelas, afirma que plantas, fotos de paisagens e até protetores de tela com motivos da natureza favorecem o bem-estar. Essa influência sobre o desempenho intelectual foi mensurado.
    Nos manuais de decoração é comum ler que vermelho estimula o apetite, laranja tem efeito energizante, verde acalma, amarelo provoca alegria. É consenso que reagimos intuitivamente às cores e não é à toa que, na arquitetura, o jogo de tons e luzes é tão importante. É comum as pessoas associarem certos tons a alegria e descontração, pois na infância tiveram objetos da mesma cor que lhes inspiraram isso. Assim, não surpreende que estudos sobre a influência das cores cheguem a resultados conflitantes.
    Assim como a cor, as condições de iluminação também exercem influência mensurável sobre as pessoas. Vários estudos comprovam que ambientes claros com muita luz natura têm efeitos positivos. Se é possível que as lâmpadas compensem a falta de luz natural, é questionável: as características da luz artificial ainda estão muito distantes das da luz solar e, acima de tudo, elas não alcançam o grau de luminosidade adequado. O pesquisador Igor Knez, do Instituto Real de tecnologia da Suécia, trabalhou nos últimos anos em vários estudos, com efeitos da luz artificial. Ele deparou com um quadro diferenciado: a preferência individual por uma luz mais quente (avermelhada) ou uma mais fria (azulada) parece estar relacionada à idade e, talvez, ao sexo. Pessoas mais idosas setiam-se melhor com uma iluminação mais fria, ao contrário dos jovens, e em especial as mulheres. Sob condições que as pessoas consideravam mais confortáveis, o humor e o desempenho intelectual melhoravam significativamente. Ou seja: para ter melhores condições de trabalho e produzir mais, sem tanto desgaste, cada pessoa deveria ter a possibilidade de escolher a fonte de luz, natural ou artificial, que mais o agrade e determinar o grau de luminosidade que prefere.
    O benefício das paredes altas, nos últimos anos, escritórios panorâmicos e lofts tornaram-se cada vez mais freqüentes. Eles deviam tornar os espaços multifuncionais, mais amplos e flexíveis. Além disso, nos ambientes de trabalho, a ausência de paredes deveria facilitar a comunicação entre os funcionários. O que os estudos mostram, porém, é que nesses ambientes as pessoas se distraem com mais freqüência e sofrem mais com interrupções e ruídos das conversas de outras pessoas, toque de telefones e pelo ir e vir geral. Em 2002, pesquisadores da Universidade Calgary, no Canadá, detectaram altas taxas de stress entre empregados que haviam sido transferidos de um escritório convencional para um ambiente sem divisórias. Segundo um estudo australiano a satisfação e o desempenho diminuem principalmente entre as pessoas que precisam realizar tarefas complexas, que exigem concentração. Já as meias-paredes ajudam a reduzir as interrupções, mas não as eliminam. De qualquer forma, quanto mais altas as paredes, mas satisfeitos se mostram os funcionários.

Revista Mente e Cérebro